15 de março de 2010
De tudo o que consegui anotar, aqui vai um resumo do que foi dito ontem no Forum Panrotas, para ajudar você a se manter informado.
(Marina Leal, gerente de marketing das Empresas Schultz)
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ABERTURA
O presidente da Panrotas, Guillermo Alcorta abriu o Forum, me chamaram a atenção as seguintes preocupações destacadas por ele:
Aumento do imposto no turismo
A Receita Federal quer cobrar 25% sbre serviços de turismo adquiridos no Brasil e no exterior, inclusive cruzeiros marítimos, o que acarretaria mais de 30% de aumento no preço dos produtos turísticos.
Infra-estrutura
Sobre a infra-estrutura para receber as Olimpíadas e a Copa, já estamos atrasados.
Nova publicação do Panrotas
Preocupado com o fato de que a publicidade na mídia impressa é muito cara para a maioria das empresas no setor de turismo, o Panrotas lança a “Vamos Lá!”. É um produto que, por ter rede de distribuição própria, redução de custos com redação e maior densidade de páginas pagas, oferecerá um custo menor para propaganda. Será distribuído pelos locais onde mais se concentram os consumidores com alto poder aquisitivo.
Temas relevantes
Citou os vistos e a aviação comercial brasileira.
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BALANÇO DO MTUR
No Fórum deste ano o Ministro do Turismo, Luiz Barreto, fez um balanço ao vivo, dos 8 anos de existência do Ministério do Turismo. O interessante é que o Forum Panrotas também comemora 8 anos de existência.
1. Oportunidades para o turismo no Brasil
Otimismo
Segundo a 6a. Pacet – Pesquisa Atual de Conjuntura Econômica do Turismo, os empresários prevêm um aumento de 14,6% no faturamento para 2010. A melhora da imagem do Brasil no exterior. Está mais fácil a participação do Brasil nas feiras e entidades representativas internacionais.
Compromisso
Turismo, desenvolvimento social e responsabilidade ambiental integrados são o lema, coisa que só é possível com o fomento à Parceria pelo Turismo, em que governo, iniciativa privada e ONGs desenvolvem projetos e ações conjuntos. Um exemplo é o Programa Primeiros Passos, que visa dar perspectiva para os bolsistas do Bolsa Família. O Turismo é um dos setores contemplados, com obrigação mínima de 30% de empregabilidade para os jovens nessa realidade.
Nunca se investiu tanto
PA: urbanização da orla marítima do Rio Guamá e área portuária, em Belém.
PI: aeroporto São Raimundo Nonato, a ser inaugurado em uma semana.
RJ: 7 obras do Porto Maravilha, um sonho de mais de 20 anos.
SP: Revitalização do Parque Anhembi.
RN: Duplicação da estrada do Praia do Pipa.
E outros…
2. Legado do Governo Lula
Planejamento
É importante planejar, ter uma base de dados e estudá-los, para direcionar as novas políticas e investimentos. Entre esses estudos, o de competitividade, os 65 destinos, a regionalização.
Nova imagem do Brasil no exterior
Um país moderno. Com indústria importante e crescimento no comércio exterior. Não é mais visto só como praia e lazer, Carnaval, Futebol e Rio de Janeiro, que são muito importantes mas o Brasil é muito mais do que isso; agora cresce em turismo de negócios, turismo de luxo como o golf, por exemplo, e em turismo náutico que está crescendo e ainda tem muito a se desenvolver com toda a costa que o país possui. Com isso, a presença e Representatividade do Brasil nas instituições internacionais Na Europa o que mais se fala é em eficácia e ineditismo, e em ecoturismo.
Investimentos
Em 2003 eram menos de 400 milhões. Para 2010 seriam mais de 4 bilhões: o maior orçamento da história da Embratur em 2010. Destaca-se também o investimento no mercado interno brasileiro, com publicidade e marketing para tornar o Brasil mais conhecido dos brasileiros. Em 2010, até o meio do ano, seráo lançadas 4 campanhas internas, nas quais destacam-se os focos na melhor idade e no Salão do Turismo. Houve também o impacto dos resultados da economia, e no setor do turismo mais especificamente na aviação. Nunca se viajou tanto de avião no Brasil. O crescimento superou o da China. Também houve aumento nas viagens pelo mar. De 400 mil passou para 900 mil leitos em Cruzeiros. No aumento do consumo de turismo, evidenciam-se as classes C e D, que passaram a viajar mais dentro do país.
Boa notícia de janeiro
Quase 13% de crescimento no número de desembarques internacionais em relação a janeiro de 2009. Estados Unidos e Alemanha começam a se recuperar da crise, e com isso tornam-se público-alvo como consumidores de destino Brasil. Em 2003 os turistas estrangeiros gastaram 3,9 milhões, e em 2009 gastaram 5,3 milhões. Quase 100% a mais. Isto é um grande avanço, mas ainda há muito o que fazer e crescer. Ao contrário da França, Espanha e México, que são países que recebem mais turistas de fronteira, o Brasil e a Austrália recebem mais turistas de longa distância, sendo que o Brasil recebe mais europeus e a Austrália recebe mais asiáticos, devido à localização. Para ajudar a enfrentar o que o Ministro chamou de “crescimento chinês” que o Brasil vive no setor do turismo, como a demanda é sempre maior do que os cofres, o governo está incentivando os chamados Módulos Alternativos.
Focos do Minstério do Turismo
O Brasil quer conquistar a América do Sul, que não depende tanto do aéreo, pois sendo países vizinhos e que estão em franco crescimento, como a Colômbia, por exemplo, e o Chile, há muitas possibilidades por meio rodoviário. Além disso, esta Copa será a mais sulamericana da história. O governo quer capacitar mais de 300.000 profissionais da área do turismo com a ajuda das instituições. Também está havendo o incentivo para a rede hoteleira que, para início, conta com 1,8 milhões em financiamento obtidos com o BNDES e fundos públicos, sendo que quanto mais sustentável for a construção do hotel, maior será o fomento. O mercado americano também estão na mira do Mtur, pois além de estar se recuperando da crise, o visto que antes era de 5 anos, agora é de 10 anos, e eliminou-se o visto de 90 dias. O Brasil também está para aprovar o projeto em que disponibiliza o pedido de vistos on line. Encerrou dizendo que precisamos de produtos competitivos em preço e qualidade, com compitam com destinos como o Caribe, por exemplo, para atrair os estrangeiros. O Brasil completa 16 anos de estabilidade econômica e já é o 13o. na lista de países com grandes perspectivas no cenário futuro.
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DEBATE -TÓPICOS MAIS PREOCUPANTES
Chamaram-me a atenção as seguintes colocações:
Portos
Ricardo Amaral, presidente da Abremar, levantou a questão da possível hospedagem em navios durante a Copa, e a necessidade de investir na infra-estrutura dos portos.
Aeroportos
O Ministro do Turismo, Luiz Barreto, afirmou que pensa na questão dos aeroportos não apenas por causa da Copa, mas que já tem sido uma preocupação sua para as necessidades do dia-a-dia mesmo. Disse que em alguns casos, melhorias podem ser feitas (e já têm sido) com pequenas reformas na logística do ambiente interno do aeroporto como, por exemplo, derrubar uma parede, mudar a escada rolante de lugar, etc.
Hotelaria
O representante do setor de hotelaria, disse que o setor não está tão preocupado com a hospedagem para a copa e, sim, com a pré-copa, principalmente em Manaus e Cuiabá, onde estarão 15% e 30% das hospedagens, respectivamente. A ocupação dos quartos no Brasil hoje está na casa dos 60%. Na copa, será de 65%. São Paulo tem acomodações suficientes e ainda sobra. Quem investir poderá sofrer redução no número de quartos ocupados. Para a hotelaria o grande legado da copa vai ser a modernização e todo o parque hoteleiro.
Vôos
O governo pretende dobrar os recursos para aumento de vôos para a América do Sul. Tem perpectivas também nos mercados americano, inglês e alemão, e oriente-médio. A Qatar Airlines, por exemplo, vai lançar o vôo direto São Paulo / Doha.
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TURISMO GANHA NOVO CONSUMIDOR
O economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, deu-nos uma palestra sobre A NOVA CLASSE MÉDIA, que ele definiu como sendo os “emergentes num país emergente”.
Anotei alguns números e comentários interessantes:
Diminuiu a desigualdade
A renda dos 10% mais pobres aumentou em 72,45% e dos 10% mais ricos aumentou em 11,37%, o que significa que houve uma diminuição na desigualdade nunca antes vista, embora ainda seja muito alta. No entanto, o Brasil consegue incorporar mais pessoas à classe média do que os outros países.
O maior crescimento de renda foi nos estados da região Nordeste. Em segundo lugar, a região Centro-Oeste. O eixo Rio/São Paulo cresceu apenas 10%.
O Brasil incorporou o equivalente a meia França na classe média em 5 anos.
A classe E (pobre), caiu de 36% para 16,02% da população.
As classes C e D (média), aumentaram para 49,22% e 24,35% respectivamente.
As classes A e B (alta), correspondem hoje a 10,42%.
As cidades brasileiras onde há mais classe A e B são, em ordem: Florianópolis, Curitiba, Vitória, Porto Alegre e Belo Horizonte. Prevê crescimento proporcional da classe AB de 50,3%, por causa da incorporação de pessoas nas classes imediatamente superiores economicamente.
Fim da crise
Durante sua fala, o economista disse algumas vezes confessar que demonstra um cenário cheio de otimisto, mas que ele mesmo se surpreendou com o que os números revelam. Parece que já podemos comemorar, porque já se passou um ano da crise com os indicadores positivos se equiparando ao ritmo do período anterior (2003-2008), o que significa dizer que a crise já saiu há um ano do bolso dos brasileiros.
O economista mostrou também que os números revelam que a crise afetou mais as capitais do que as periferias em todos os momentos. E está diminuindo o ”gap” entre capital e periferia, porque o interior também está incorporando mais pessoas com poder aquisitivo.
A renda do trabalho tem crescido 5,2% per capita. Mais acesso a computadores e a celuares e à carteira de trabalho assinada revelam que o brasileiro não está apenas comprando mais, e, sim, produzindo mais. Computadores e celulares são bens de produção mais do que bens de consumo. Com eles o brasileiro tem produzido mais, pois ajudam a estender o trabalho para outros ambientes e horários fora do local de trabalho. Nos anos 90 o brasileiro comprava tanto quanto produzia. Hoje, a renda de trabalho aumentou 28%, ao passo em que o consumo aumentou 14%, ou seja, está produzindo mais e comprando menos.
”O que é ser classe média?” – perguntou retoricamente e respondeu: “É esperar um futuro melhor.” Continuou dizendo que o brasileiro é o povo mais otimista dentre 32 países pesquisados. Apesar de ser cultural do brasileiro, ele não está errado. Os números comprovam.
Em relação ao Turismo
Em relação mais especificamente ao turismo, o economista explicou que há o que se chama de “capital fundamental” da atividade turística, que sáo dois: o natural e o cultural. E que portanto, a preservação do meio ambiente vem como condição básica para um país que pretende crescer no setor.
Em 2003, somente 20% dos brasileiros gastavam com turismo. Só não perdia para produtos de pesca e tecnologia. Dentro desse gasto com turismo, em primeiro lugar o transporte, e depois a alimentação seguida da hospedagem. O economista fez uma simulação, mostrando que quando uma pessoa da classe E muda para a classe C sem que nada na vida dela tenha mudado, a despesa de R$6,00 que ela tinha com turismo passa a ser de R$15,00. Fechou a estatística mostrando que segundo o último censo, em 2003, os homens gastavam mais com turismo do que as mulheres. Explicou que é porque entre as mulheres ali contadas, estão por exemplo, as mães de crianças pequenas e as grávidas, que por consequência estariam concentrando seus gastos mais nos têxteis.
O economista encerrou dizendo que dentro de mais ou menos um mês será publicado o novo censo, sobre o qual poderá fazer nova análise, e que se os próximos 5 anos (2010-2014) forem apenas parecidos com os 5 anos anteriores (2003-2008), incorporaremos 36 milhões de pessoas à classe C.
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Este é apenas um apanhado para colocar você a par. Matérias com informações precisas e completas você encontra no site www.panrotas.com.br/forum.